Código de conduta

Etiqueta da Caixa

Em nome da sua imagem, a Caixa Geral de Depósitos decidiu ensinar boas maneiras aos seus trabalhadores. Aprendem a comer ou a arte de bem vestir. E são avaliados.

Mastigar com a boca fechada e desligar o telemóvel em enterros são algumas normas básicas de conduta. No caso dos trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos passaram a ser obrigatórias. E até merecem cursos de formação e avaliação «a posteriori».

Uma trabalhadora da CGD que lide com clientes deve «usar no máximo dois anéis», «não andar sem collants», «evitar sandálias» e escolher vestidos ou saias de comprimentos regulamentares: 2,5 cm acima do joelho, mesmo na articulação ou «ligeiramente abaixo». Quanto à maquilhagem não há que ter dúvidas: usa-se sempre. Motivo? «As pesquisas mostram que mulheres que usam maquilhagem ganham mais 12 a 15% que aquelas que não usam».

Tudo isto consta num manual, intitulado «Gestão da Imagem e da Relação com o Cliente», proposto aos seus trabalhadores pela direcção da Caixa. A empresa Conceito O2 é autora do livro e responsável por uma acção complementar de formação, que dura dois dias. Segundo os responsáveis da CGD cerca de 417 trabalhadores já frequentaram este curso «e mostraram satisfação», disse ao EXPRESSO o porta-voz da Caixa, acrescentando que o sucesso da operação justifica que perto de mil trabalhadores sejam incluídos neste projecto de formação, nos tempos mais próximos.

Fashion Police?
Os homens são francamente favorecidos pelas regras de etiqueta. O manual impõe-lhes muito menos limitações quanto ao vestuário, apenas fazendo questão de que usem fato ou calças e casaco, sempre acompanhados de gravata. Os autores do manual dedicam, aliás, particular atenção a este acessório: as gravatas não devem ser de poliester, «devem chegar ao cós das calças» e uma vez que a fardamenta se destina a «ambientes sérios de trabalho» é aconselhável que deixem no armário todas as que ostentem «grandes padrões ou com bonecos», assim como «cores garridas ou tecidos brilhantes». As meias masculinas ocupam outra secção do manual: devem «ser da mesma cor das calças ou dos sapatos», «ao andar não devem ser vistas» e «devem ser suficientemente compridas para não se verem as pernas sentado». Curiosamente, o livro é omisso quanto à possibilidade de usar meias brancas ou mesmo se podem ser de felpo.

O curso de formação não se fica, porém, por aqui. Ensina os trabalhadores a comer à mesa e a usar o telemóvel, as regras de precedência nas entradas e saídas e até mesmo a forma de pôr uma mesa e distribuir os convidados de acordo com «o modelo inglês».

Conselhos como os de «não cruzar os talheres» no fim de uma refeição ou «limpar a boca antes e depois de beber» são dados a todos os frequentadores do curso. No final, os trabalhadores regressam aos seus postos de trabalho, onde devem aplicar imediatamente as medidas aprendidas. Senão… podem ser supreendidos.

Segundo um dos trabalhadores formado no novo modelo, «passados uns tempos, recebi na minha agência a visita de uma formadora». A senhora fez reparos como o de «uma colega ter demasiados anéis, outra usar mules (sandálias fechadas à frente)» e foram avaliadas. Internamente, estas visitas ficaram conhecidas como a «Fashion Police».

A CGD assume que este complemento da formação só incidirá sobre a avaliação dos funcionários no que se refere às «relações interpessoais». «Os trabalhadores têm aqui uma oportunidade de melhorar esta valência», conclui.

Rosa Pedroso Lima
Expresso 2º Caderno – Economia
2005-06-04 pág. 1 e 7

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