O direito à manifestação e a liberdade pessoal!

Supostamente vivemos num país livre, em que cada um é livre de expressar a sua opinião e viver a sua vida. São inúmeras as manifestações dessa liberdade no nosso quotidiano. No entanto o conceito de liberdade e democracia tem que ser bem pensado, já que a minha liberdade não se pode sobrepor à liberdade do meu “vizinho”. A liberdade de uma pessoa não pode chocar com a liberdade das outras pessoas.

Tenho assistido a diversas manifestações ao longos dos últimos anos. Manifestações a exigir melhores condições de trabalho, redução de impostos, fim da contratação precária, condições para os agentes policiais, fim das propinas, mais condições para os professores, etc… São inúmeras, algumas com mais razão que outras, mas não é essa a questão.

A questão de fundo é que uma qualquer manifestação, num estado livre e de direito não deveria impedir-me de ter a minha própria liberdade. Uma manifestação sobre um qualquer tema, tem direito a cortar uma rua? A paralisar uma cidade? Será correcto que uma manifestação dos agentes policiais como a de ontem, corte o trânsito e que impeça o acesso de milhares de pessoas às suas casas? É dificultando a vida do cidadão anónimo que uma manifestação tem mais impacto?

É que infelizmente parece que é assim que se conclui se uma manifestação teve sucesso ou não! Através do número de cidadãos anónimos que perturba e a quem são retirados direitos tão básicos como o da circulação nas ruas de uma cidade.

Talvez o problema esteja também nas próprias autoridades que ainda criam mais problemas, com a sua falta de ginástica mental para facilitar a vida das pessoas que estão a ser prejudicadas por essa mesma manifestação. A sensação que fica é que uma entidade “O Chefe” ditou que se deveria fazer a, b e c, e que embora esteja à vista de todos que se deveriam fazer x, y e z, ninguém faz, porque “O Chefe” assim considerou que deveria ser feito.

No caso concreto de ontem, a actuação da policia de trânsito no Parque das Nações além de não ajudar, só complicou ainda mais a vida a quem queria chegar às suas casas no final de um dia de trabalho. Uma actuação lamentável, apenas com a explicação “foi o que O Chefe determinou”…

Não queria acabar este post sem referir que não estou nem a criticar nem a apoiar qualquer tipo de manifestação. O que critico é a forma como por vezes a liberdade individual é retirada nestes momentos. Compreendo que pequenos sacrifícios de muitos contribuam para o bem de todos, no entanto não posso deixar passar em claro a falta de flexibilidade daqueles que supostamente estão a trabalhar para facilitar a vida ao cidadão anónimo.

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