O salazarismo que perdura em nós

“O tema é recorrente em momentos eleitorais ou em crises económicas profundas. Falo da versão light do slogan “os ricos que paguem a crise”: é preciso agravar a carga fiscal de quem ganha mais para ajudar quem ganha menos.

Não vale a pena repescar a estafada ideia de que tributar quem ganha mais desencoraja o investimento. Nem outra (válida) de que, à medida que a tributação sobe, se reduz o incentivo para trabalhar mais. A questão é mais profunda e vem do salazarismo: gostamos de ser remediados (adoramos cultivar a pobreza).

Faz sentido aumentar as deduções fiscais às famílias de menores rendimentos, agravando as deduções às que ganham mais? Faz. Mas se o Governo quer fazer alguma coisa pelo País, tem de promover a riqueza, não o nivelamento por baixo. Isto é, não se pode contentar com discriminar positivamente quem tem menos rendimentos. Tem de implementar políticas que nos façam enriquecer: os que (agora) ganham menos e os que, ganhando mais (agora), podem ganhar ainda mais no futuro. Porque o problema da sociedade portuguesa não é ter pessoas que ganham bem e outras mal. É não conseguirmos que as segundas migrem desse grupo para o dos mais ricos. É que, bem vistas as coisas, todos ganharíamos se em vez de 30 mil famílias que ganham mais de 5 mil euros, tivéssemos 100 mil. Nivelar por baixo é defender um dos complexos do salazarismo, de que ainda não nos livrámos. A propósito, alguém se admira de estarmos cada vez mais pobres face aos nossos parceiros?”

Retirado daqui: Jornal de Negócios

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